Arquivos
Materiais de informação, 2007
Materiais da campanha, 2004

Folheto de informação (desactualizado)

Cartaz A4
Artigos e comunicados vários
Ameaças em Vale de Judeus, em 2005
"Desde o 25 de Abril para cá que me tenho empenhado numa luta firme e decidida contra o sistema prisional e os seus serventuários mais despudorados e torcionários. Digamos que estou marcado com o traço vermelho da arrogância e da ilegitimidade de um sistema que é ele próprio delinquente e à margem da lei. E não sou só eu que o digo. Insuspeitas figuras e organizações já o têm afirmado até à exaustão.
A constante perseguição que me é movida dentro das prisões não é de natureza meramente disciplinar. E, nessa dimensão, poderemos caracterizá-la como política, no sentido em que decorre de uma revanche ideológica sobre alguém que é estruturalmente adverso ao sistema concentracionário do Estado, a uma filosofia jurídica e institucional que trata os pobres como inimigo principal e os elege como hóspedes permanentes das prisões".
No dia 20/07/2005, o António voltou a ser ameaçado de morte por um guarda prisional no decorrer de uma rusga à sua cela.
De acordo com o relato de António, um recluso que acabou recentemente de esfaquear outro recluso, disse a outros presos que a próxima "encomenda" que lhe fora feita é a morte de António Ferreira de Jesus.
Novamente, no dia 6 de Agosto do corrente ano, o António voltou a ser ameaçado de morte por guardas prisionais, que constantemente o intimidam e provocam.
Quanto mais isolamento, mais sobem as perspectivas de esta ameaça se tornar real. É mais que obvio o interesse que a máfia prisional tem no silenciamento de António Ferreira. Ele para além de não se calar perante as injustiças prisionais é uma pessoa que informa os presos acerca dos seus direitos e garantias, como se de um advogado prisional se tratasse. Tem ajudado a montar o puzzle acerca de como funciona este estado dentro do estado e quem são os seus senhores, protegidos e privilegiados, assim como os negócios obscuros e amigos que mantêm cá fora. O tamanho da rede mafiosa em que se apanham as prisões é sustida pelo tráfico de influências, de droga, de objectos proibidos dentro das prisões etc. Nela existe toda uma parafernália de agentes que funcionam como engrenagens e rodas dentadas de um motor; de juízes a policias, de directores a carcereiros, todos cabem num tacho que transpira a verdadeira podridão e funcionamento deste sistema.
Cabe-nos a nós demonstrar uma verdadeira solidariedade com quem denuncia, indigna e revolta permanentemente contra esta forma de fazer justiça. O António vê constantemente os seus telefonemas ou visitas recusadas, e mesmo a sua pena ninguém sabe quanto tempo falta cumprir. Condenam-no a uma autêntica prisão perpétua, sem a possibilidade de comutação ou acumulo jurídico (apesar de lhe poderem adicionar anos por reincidência). Embora no próximo ano atinja o meio da pena são-lhe no entanto negadas saídas precárias ou uma possível transferência para outra prisão. Será porque preferem mantê-lo a jeito até manipularem mais um toxicodependente que a troco de mais umas gramas de heroína o possa matar? Não é o que está já a acontecer?
No ano passado acendeu-se uma chama de informação, solidariedade e acções constantes que denunciaram todo o caso do António Ferreira, principalmente porque este sofria de ameaças iguais. Um ano volvido as ameaças surgem de novo. Num período de férias, onde o país para. Mesmo se algo acontece, existe tempo suficiente até tudo voltar a funcionar (?) para que se varra um possível? acidente? para debaixo da burocracia e da lentidão dos tribunais. É hora de reiniciarmos o que deixamos parado com a campanha pela Libertação de António Ferreira. Pois para além dele ainda não estar cá fora, está no entanto mais próximo da morte do que da vida.
Não sejamos cúmplices com o silêncio das 'autoridades'!A sua vida continua a depender da nossa solidariedade!